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Líder do esquema que desviou R$ 56 milhões em Turilândia, Paulo Curió usava dinheiro público para luxo, viagens e compra de imóveis

Mensagens de áudio obtidas pelo Ministério Público revelam, de forma crua, como o então prefeito Paulo Curió transformou contratos públicos em fonte pessoal de dinheiro para sustentar um esquema de lavagem, compra de imóveis e pagamento de propina. Segundo a investigação, ele adquiriu pelo menos cinco imóveis usando manobras para ocultar a origem dos recursos e chegou a bancar gastos pessoais com o cartão de crédito de uma empresa contratada pela Prefeitura de Turilândia.

Em um dos áudios, Paulo Curió demonstra irritação com o limite do cartão corporativo usado para despesas particulares. Ele reclama diretamente com o ex-controlador do município, cobrando intervenção junto ao gerente do banco para aumentar o valor disponível. Diz que dez mil reais “não dão pra nada”, relata compras em shopping, fala em viagens com acompanhantes e ironiza o fato de o cartão não estar à altura do que chama de “cartão de prefeito”. A fala deixa evidente a naturalidade com que tratava o uso de dinheiro ligado a contratos públicos para fins pessoais.

Em outra gravação, o prefeito vai além e detalha a engrenagem financeira do esquema. Afirma que, se os contratos continuassem e o grupo evitasse “exageros”, sobraria dinheiro todo mês para desvio, algo entre dois e dois milhões e meio de reais. O valor citado coincide com o montante que, segundo o Ministério Público, foi repassado aos vereadores para garantir silêncio e omissão.

A investigação aponta que os 11 vereadores do município receberam, direta ou indiretamente, cerca de R$ 2,3 milhões oriundos do esquema. O dinheiro servia para comprar apoio político e neutralizar qualquer fiscalização. Não importava se eram da base ou da oposição: todos eram pagos para “não fazer nada” e deixar o esquema funcionar sem obstáculos.

Ainda de acordo com o Ministério Público, a origem da engrenagem criminosa remonta a um posto de gasolina, usado como ponto inicial para movimentação e disfarce dos recursos desviados. A partir daí, o dinheiro circulava, financiava luxo, viagens, imóveis e mantinha o controle político do prefeito sobre a Câmara Municipal.

Os áudios desmontam qualquer discurso de desconhecimento ou ingenuidade. Mostram um prefeito que falava abertamente sobre desvio, tratava o dinheiro público como extensão da própria carteira e organizava, com frieza, um sistema de corrupção sustentado por contratos, propinas e silêncio comprado.

Fonte: Folha do Maranhão

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